Coubertin e o renascimento das Olimpíadas em seu berço grego

Pierre de Coubertin realizou seu grande sonho em 6 de abril de 1896, quando foram abertos oficialmente os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, ressuscitando um grande evento da Grécia clássica, que ainda vive, 116 anos depois.

“Proclamo a inauguração dos primeiros Jogos Olímpicos Internacionais”, foi a frase proferida pelo rei George I naquele dia do final do século XIX, em Atenas.

O barão francês Coubertin foi incansável em sua luta pela retomada dos jogos após 15 séculos de interrupção, e teve um grande alívio já que a organização do evento foi incerta durante muito tempo em uma Grécia empobrecida por múltiplos conflitos.

Privado de qualquer apoio financeiro governamental, o comitê de organização se beneficiou de uma doação de um milhão de dracmas de um mecenas grego de Alexandria, Giorgios Averoff, para resolver a situação.

Graças a esse dinheiro, os organizadores conseguiram construir um estádio de mármore branco de 60.000 lugares, no espaço de 18 meses, se transformando no berço dos jogos modernos.

Mas ter um estádio não era tudo e o espírito dos jogos não poderia almejar a universalidade. Entre os quase 300 atletas presentes em Atenas (todos homens), aproximadamente dois terços eram gregos.

De 6 a 15 de abril, somente outras 13 nações, vindas de três continentes, participaram nos nove esportes inscritos no programa: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, luta, natação, halterofilismo, tênis e tiro.

Os campeões olímpicos receberam um diploma, uma coroa de louros e uma medalha de prata.

Muitas das competições aconteceram em condições precárias. O remo e a vela foram cancelados, já que o mar não estava calmo. Já as provas de natação aconteceram, mas em uma baía próxima do porto de Pireu, onde a água não passava dos 13 graus.

Em 6 de abril de 1896, um americano, James Connolly, estudante de Harvard, se transformou no primeiro campeão olímpico da era moderna, ganhado no salto triplo com a marca de 13,71 metros.

Mas a história lembrará principalmente da vitória na maratona de um camponês dos arredores de Atenas: Spiridon Louys.

Em 2 horas, 58 minutos e 50 segundos, perante uma multidão em um dia de muito calor, o pastor de Maroussi cumpriu os aproximadamente 40 quilômetros que separavam o povoado do estádio olímpico de Atenas, no percurso realizado, segundo a lenda, pelo soldado Filípides (ou Fidípides) para anunciar a vitória do exército grego contra os persas em 490 antes de Cristo.

A vitória de Spiridon Louys encheu de alegria o povoado grego. No balanço final, a Grécia foi a grande ganhadora, com 50 lugares entre os três primeiros, contra 19 dos Estados Unidos, 14 da Alemanha e 11 da França.

Quando as competições terminaram, em 15 de abril, Pierre de Coubertin havia alcançado seu principal objetivo: provar que o espírito olímpico podia reviver. Mas teve que lugar durante mais de dez anos para assegurar a eternidade de sua criação.