História dos Jogos Olímpicos entre Melbourne-1956 e Seul-1988

Segunda parte da história dos Jogos Olímpicos, cuja 31ª edição será realizada no Rio de Janeiro de 5 a 21 de agosto.

=== Melbourne-1956 a Seul-1988 ===

Criados em 1896 por iniciativa do barão francês Pierre de Coubertin, os Jogos Olímpicos modernos foram herdeiros dos criados na Grécia antiga, que terminaram no ano de 392.

– 1956: MELBOURNE (22 de novembro a 8 de dezembro)

A política entrou com tudo nestes primeiros Jogos organizados no hemisfério sul. Egito, Iraque e Líbano se recusaram a participar em razão da guerra árabe-israelense logo após a nacionalização do Canal de Suez pelo Egito.

Holanda, Espanha e Suíça boicotaram os Jogos para protestar contra a intervenção militar soviética na Hungria.

O sangue manchou a água da piscina durante uma partida de polo aquático entre a União Soviética e Hungria, que resultou em uma verdadeira batalha.

A China deixou Melbourne para evitar competir com Taiwan.

– 1960: ROMA (25 de agosto a 11 de setembro)

Foi a estreia dos Jogos na televisão (20 países receberam a transmissão). Foi também o início do doping, com a morte de ciclista dinamarquês vítima de uma overdose de anfetaminas.

A África do Sul fez sua última participação antes de ser expulsa por 32 anos por causa de sua política de apartheid.

Graças à televisão, os campeões se tornaram estrelas: o boxeador americano Cassius Clay, futuro Mohamed Ali, o maratonista etíope descalço Abebe Bikila, o primeiro campeão olímpico africano negro, e a velocista americana Wilma Rudolph.

– 1964: TÓQUIO (10 a 24 de outubro)

Graças à Mondovision, 600 milhões de telespectadores puderam acompanhar a transmissão destes que foram os primeiros Jogos na Ásia.

Os vizinhos chineses boicotaram novamente a competição pela presença de Taiwan.

Abebe Bikila venceu sua segunda maratona olímpica e a australiana Dawn Fraser, sua terceira prova de 100 m lives.

O Japão comemorou a inclusão do judô nos Jogos. Mas o holandês Anton Geesink arruinou as esperanças nipônicas ao conquistar o título mais valioso, o da classe aberta (sem limite de peso), diante de um público em lágrimas.

– 1968: MÉXICO (12 a 27 de outubro)

Dez dias antes da abertura dos Jogos, os primeiros na América Latina, o exército mexicano abriu fogo contra uma manifestação estudantil na Cidade do México e causou 300 mortes.

O presidente do COI, o americano Avery Brundage, considerou o caso como um “assunto interno”.

Duas semanas mais tarde, a política subiu ao pódio com os punhos cerrados do movimento Panteras Negras, gesto feito pelos velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos, que foram expulsos dos Jogos.

A cronometragem passou a ser eletrônica.

A barreira dos cem (112) países participantes foi superada.

Com a ajuda da altitude (2.240 m), os recordes caíram.

O americano Bob Beamon saltou 8,90 m. Seu compatriota Dick Fosbury, medalha de ouro em altura, chocou o mundo ao saltar de costas.

– 1972: MUNIQUE (26 de agosto a 10 de setembro)

Em 5 de setembro, um comando palestino se infiltrou no dormitório de Israel na vila olímpica, matou dois israelenses e fez nove reféns. O caso terminou em tragédia em um aeroporto perto de Munique, com um saldo de 17 mortos: 11 israelenses, cinco palestinos e um policial.

Após 34 horas de interrupção e uma cerimônia fúnebre no Estádio Olímpico, o presidente Brundage declarou que “os Jogos devem continuar”.

Antes do drama, o nadador americano Mark Spitz conquistou sete medalhas de ouro, um recorde que permaneceu até que Michael Phelps alcançou oito em Pequim-2008.

– 1976: MONTREAL (17 de julho a 1º de agosto)

Devido a exclusão pelo COI da Nova Zelândia, cuja equipe de rúgbi excursionou pela África do Sul, país do apartheid, 22 nações africanas se recusaram a participar dos Jogos. Apenas 92 países participaram.

O corredor finlandês Lasse Viren, campeão em Munique nos 5.000 e 10.000 m, repetiu suas realizações.

Mas foi uma pequena ginasta romena, Nadia Comaneci, o centro da atenção do público.

– 1980: MOSCOU (19 de julho a 3 de agosto)

Um boicote ainda mais extenso do que em Montreal para estes primeiros Jogos organizados por um país comunista. Em retaliação à intervenção das tropas soviéticas no Afeganistão, os Estados Unidos pediram o boicote dos ocidentais. Apesar do apelo, 80 países se apresentaram.

França e Grã-Bretanha compareceram, mas sem hino ou bandeira.

O nadador soviético Vladimir Salnikov baixou a marca de 15 minutos nos 1.500 m.

Os britânicos Steve Ovett e Sebastien Coe dividiram os triunfos nos 800 e 1.500 m.

O espanhol Juan Antonio Samaranch foi eleito novo presidente do COI.

– 1984: LOS ANGELES (28 de julho a 12 de agosto)

A União Soviética e 16 de seus aliados volvem o boicote aos Estados Unidos. Mas isso não impede uma participação recorde de 6.802 atletas representando 140 países, incluindo a China, que retornou após 32 anos de ausência.

Esses jogos foram os primeiros totalmente organizados pelo setor privado e os primeiros a distribuir prêmios (150 milhões de dólares).

Carl Lewis se junta a Jesse Owens na lenda ao vencer os 100m, 200m, salto em distância e 4×100 m.

– 1988: SEUL (17 de setembro a 2 de outubro)

Apenas seis países, em solidariedade com a Coreia do Norte, decidiram boicotar a competição.

Um escândalo sem precedentes: o canadense Ben Johnson, que venceu os 100 m em 9.79, foi desclassificado por doping (anabolizantes). Carl Lewis herdou a medalha de ouro e completou sua coleção com uma vitória no salto em distância.

A nadadora da Alemanha Oriental Kristine Otto conquistou cinco títulos, um a mais do que o americano Matt Biondi.

Pela primeira vez, atletas profissionais foram admitidos para o tênis.