Crises raramente são associadas a algo positivo, mas muitos artistas e economistas por aí argumentariam exatamente o contrário. Assim como a crise conjugal que enfrentava rendeu a Bob Dylan o ótimo álbum Blood on the tracks (1975) ou a crise geracional de Lena Dunham serviu como miolo do elogiado seriado Girls (2012-presente), a crise econômica de um país pode significar um investimento de grande retorno para empreendedores bem assessorados.

 

No Brasil, um exemplo de como a crise econômica pode render bons frutos é o Tesouro Direto. O investimento permite à pessoa física comprar títulos públicos do governo federal, se tornando uma espécie de credor do país. A recessão é uma ótima oportunidade para investidores de títulos pós-fixados. Indicados principalmente para um retorno de curto prazo (até dois anos), esses títulos seguem a taxa Selic, que hoje gira em torno de 14,15% ao ano.

 

Outro ponto positivo que surge diante de uma crise econômica é o reaquecimento de setores do comércio deixados de lado em épocas de boom econômico. Reparo de roupas, calçados e eletrodomésticos, bem como compra de carros usados e bicicletas são apenas alguns hábitos resgatados em períodos de recessão. Além de valorizar o trabalho manual, isso contribui para um consumo mais consciente e fornece uma nova possibilidade de investimento para pequenos empreendedores.

 

Para investidores dispostos a assumir grandes riscos em busca de um retorno rápido e alto, não há cenário mais favorável do que um momento de desaceleração econômica. É principalmente neste contexto que são realizadas as operações Distressed M&A, que visam adquirir empresas ou ativos de empresas que passam por dificuldades financeiras. Beneficiadas pela Lei de Falências brasileira, de 2005, essas transações permitem que investidores adquiram bens pelo seu real valor de mercado, sem a necessidade de assumir dívidas, e podem ser bastante lucrativas.

 

Quem também pode ganhar com a crise são os empreendedores nacionais. A alta do dólar dificulta a importação de produtos e abre caminho para que produtores nacionais estabeleçam relações com novas empresas e aumentem suas vendas. Esse movimento tende a fortalecer marcas brasileiras que podem, inclusive, adentrar o mercado de exportação. Aliás, a moeda nacional desvalorizada é um grande atrativo para consumidores estrangeiros.