Quem vai para Copacabana vestido de branco na véspera de ano novo, pronto para jogar flores no mar e pular sete ondas talvez não se dê conta, mas está participando de uma celebração que teve origem no Candomblé. Desde a década de 1970, a prática é comum entre os adeptos da religião nas praias da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Nos anos 1980, o ritual chamou a atenção de não praticantes, que se reuniam na praia para assistir à cerimônia de passagem de ano dos devotos. Foi apenas a partir de 1992 que o festejo passou a fazer parte dos eventos organizados pela prefeitura do Rio de Janeiro, que incorporou shows e queimas de fogos à celebração.

 

Ritual

O famoso ritual da virada de ano faz parte da Festa de Iemanjá. Ele consiste em lançar oferendas à orixá, dentro de barcos, com pedidos e agradecimentos. Os barcos são lançados no mar e, caso sejam carregados pelas ondas, significa que a rainha das águas aceitou o pedido ou as graças. Caso a oferta seja carregada de volta à areia, ela não foi bem recebida por Iemanjá.

 

Entre as oferendas, estão desde rosas até alimentos, perfumes e dinheiro. É comum o simbolismo do número sete, sendo os mais ofertados sete flores brancas ou sete moedas do mesmo valor. A pipoca e o talco também são bastante relacionados à figura da orixá.

 

O ritual é celebrado igualmente por adeptos do Candomblé, praticantes de outras religiões e mesmo pessoas não religiosas no Brasil. Isso porque mais do que uma oferta a Iemanjá, a festividade é um ritual de passagem, agradecimento e renascimento. Além de Copacabana, o festejo também pode ser visto  nas praias da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes.

 

Outras datas

Apesar da celebração da véspera de ano novo ser a mais conhecida, é possível participar dos festejos para Iemanjá em outras datas, no Rio de Janeiro. Os devotos do Candomblé celebram a Rainha do Mar também no dia 02 de fevereiro. Já os seguidores da Umbanda festejam a orixá no dia 08 de dezembro. Em todas as celebrações, o ritual é o mesmo e as praias ficam bastante movimentadas.