Todo dia 2 de fevereiro é tempo de homenagear Iemanjá ou Yemanjá, orixá considerado como soberana dos mares e das água doces no candomblé. Por isso mesmo, ela é a protetora dos pescadores e marítimos, que a reverenciam com uma festa de grandes proporções na praia do Rio Vermelho em Salvador, Bahia.

 

A festa acontece desde 1923, ano em que uma forte escassez de peixes fez com que um grupo de pescadores decidissem que era preciso homenagear à Rainha do Mar, para que esta ficasse feliz e oferecesse fartura e mar tranquilo como retribuição.

 

Presentes são deixados por 1 milhão de devotos

A festa começa sempre na véspera, dia 1o de fevereiro, às 6h, quando a Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho é aberta pela Colônia Z-1 de pescadores para que os cerca de 1 milhão de devotos possam deixar os seus presentes para Iemanjá.

 

Como a Rainha do Mar é vista como uma mulher vaidosa, sendo, muitas vezes, inclusive representada em forma de sereia, entre os presentes mais comuns estão perfumes, pentes, espelhos, sabonetes, flores e jóias.

 

Muitas pessoas também acrescentam, aos seus presentes, bilhetes com pedidos de graças para si mesmos, ou para parentes e amigos.

 

Os rituais acontecem durante toda a madrugada no terreiro de Mãe Aice, no Engenho Velho da Federação, até às 5h da manhã, quando uma alvorada de fogos celebra a chegada das nações de candomblé ao Rio Vermelho.

 

300 barcos levam os presentes para alto mar

Às 16 horas, os cerca de 500 balaios estão cheios de presentes e são colocados em cerca de 300 barcos que saem em direção ao mar. Uma cesta principal preparada pelos próprios pescadores é disposta a frente do cortejo, no barco batizado como Rio Vermelho.

 

Ao chegar ao destino, os balaios são deixados para que alcancem Iemanjá – os cestos devem afundar, do contrário significa que não foram aceitos por Iemanjá.

 

Para quem quer ter a melhor visão dessa parte da festa, a dica é encontrar um ponto alto para ver o cortejo navegando rumo ao mar alto.

 

Em seguida, na orla do Rio Vermelho, a festa profana, chamada de Lavagem do Rio Vermelho, segue com barracas de comida, de bebidas, além de muita música e apresentações de samba de roda e de capoeira.

 

Mais de 100 cortejos acontecem também em outros pontos da cidade, e trânsito é alterado em diversas ruas, para garantir maior comodidade e segurança aos participantes do evento.

 

A data não constitui um feriado oficial, mas muitos escritórios e lojistas, principalmente os localizados na região do Rio Vermelho, fecham as portas durante todo o dia.