Um cortejo que você nunca irá esquecer. É assim que se pode resumir a Lavagem do Bonfim, uma celebração que demonstra com perfeição a interação entre o Catolicismo e o Candomblé tão presentes em Salvador, capital do estado da Bahia.

 

A Lavagem do Bonfim consiste, literalmente, no dia em que cerca de 200 baianas vestidas em trajes tradicionais lavam as escadarias da Igreja do Bonfim, uma das mais sagradas instituições da Igreja Católica no Brasil.

 

Mas, a data representa muito mais que isso. São cerca de 200 mulheres que tomam de mão o seu vaso cheio de água de cheiro – um misto de folhas perfumadas com água – e vassouras desde 1773, e caminham cerca de 8 quilômetros a pé desde a Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia até o Bonfim, subindo a Colina Sagrada.

 

Elas são acompanhadas por uma procissão de fiéis, curiosos, turistas, e até políticos em campanha eleitoral, em um ato simbólico de fé que acontece todos os anos.

 

Festa começou como trabalho forçado

 

Tudo começou de uma forma não tão poética. No final do século XVIII, os escravos eram obrigados a lavar as escadas da Igreja do Bonfim para deixar o ambiente pronto para a festa católica que logo se seguia.

 

Mas, assim como quase tudo que foi imposto aos escravos africanos no Brasil, o que era um castigo e uma obrigação foi logo transformado em algo belo e poeticamente incorporado à cultura popular.

 

Assim nascia a festa das Àguas de Oxalá, o deus do Candomblé que foi escondido sob a figura de Senhor do Bonfim neste caso específico, já que os escravos africanos eram proibidos de cultuar sua própria religião.

 

E, por isso mesmo, elas vestem-se totalmente de branco, a cor associada à Oxalá. Enquanto lavam as escadas e o átrio da Igreja, as baianas cantam hinos tradicionais e são acompanhadas pelo som dos atabaques.

 

Festa profana acontece após a Lavagem

 

O evento acontece sempre às quintas-feiras, e é seguido por uma festa popular com barracas e comidas típicas nas ruas da Cidade Baixa. Um grande show musical também acontece no Museu du Ritmo a partir das 14h, comandada pelo artista Carlinhos Brown, além de outras festas profanas espalhadas pela região.

 

A programação consiste na saída da procissão às 8h, a qual chega à Igreja do Bonfim ao meio dia. Enquanto isso, no Bonfim, o show de músicas religiosas inicia-se já às 9h. Durante a lavagem, as portas da Igreja permanacem fechadas.