O Google Earth capacitou 30 grupos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia durante a Oficina de Novas Tecnologias e Povos Tradicionais. Eles estão aprendendo a usar imagens de satélite e aplicativos de celular como ferramenta contra dois dos maiores perigos enfrentados por eles: o avanço de madeireiros e de invasores que vêm destruindo o ecossistema local.

 

Por meio das funcionalidades do Google Earth, eles poderão fazer o mapeamento cultural e monitorar os seus territórios, e estarão prontos para usar a tecnologia disponível para a vigilância territorial. O evento foi realizado durante seis dias na Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, localizada na cidade de Porto Velho, estado de Rondônia.

 

Proposta foi iniciativa do cacique Almir Suruí

 

A proposta foi iniciada pelo cacique Almir Suruí, da etnia Paiter-Suruí, que buscou a empresa líder em serviços de internet no mundo para capacitar centenas de índios. A ideia foi um sucesso, e ele foi seguido por outros líderes indígenas, levando a Google a decidir ampliar o projeto também para incluir quilombolas e seringueiros.

 

A oficina também foi apoiada pela Natura, a qual doou 30 laptops e 60 smartphones para o projeto. Após a capacitação, os indígenas poderão monitorar seus territórios via satélite eles mesmos, sem ter que depender da ajuda externa, ainda que governamental. Isso garante maior autonomia à comunidade indígena e mais rapidez na solução de possíveis problemas, já que deixa de ser necessária a ação de um intermediário.

 

Ferramentas digitais do globo virtual Google Earth serão usados no apoio à gestão de territórios, seguindo o que é sugerido pela Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). As comunidades capacitadas poderão criar mapas, gerar relatórios de impacto, e fazer denúncias de uma forma muito mais eficiente e prática.

 

Turmas forma capacitadas em monitoramento e criação de mapas

 

Duas turmas foram capacitadas durante a oficina do Google Earth. O primeiro grupo participou de uma oficina de mapeamento cultural que teve como base uma metodologia de construção de mapas na plataforma do Google Earth. Por meio dessa, eles poderão também adicionar aos mapas conteúdo de interesse cultural de suas tribos e comunidades, como lendas, tradições e práticas de caça e pesca.

 

Já o segundo grupo foi focado no monitoramento, e permitiu que os participantes pudessem aprender a elaborar formulários e questionários, além de como viabilizar a coleta de dados por meio dos smartphones. O Google Earth espera que o uso dessa tecnologia se expanda e venha a ser.