Eu conheci Raul quando eu ainda era jovem, aos 16 anos de idade. Eu ainda estava na escola e, todo dia depois da aula eu ia até Copacabana.

Eu conheci Raul quando eu ainda era jovem, aos 16 anos de idade. Eu ainda estava na escola e, todo dia depois da aula eu ia até Copacabana. Eu e meus amigos jogávamos futebol, nadávamos e admirávamos as belas meninas, e o melhor era comer o delicioso acarajé do Raul. Ele tinha sua barraquinha e vendia essa delícia bem frita onde a areia encontra o asfalto. Ele nunca gritou para vender suas iguarias, ele simplesmente deixava que o aroma atraísse os famintos na praia. Ele era um cara bem grande, do tipo que lembra o papai Noel, exceto que ele era marrom dourado e tinha um bigode preto em vez de uma barba branca. Eu nunca realmente conversei com ele, na verdade, o único motivo que acho que o nome dele seja Raul é porque a palavra estava escrita no lado do carrinho de venda. Eu chegava até lá e ele me virava com uma cara amigável e dizia “Meu amigo, quantos acarajés para você hoje? ”

 

 

Os aspectos mais elusivos das praias do Rio

Quando eu tinha 18 anos, comecei a trabalhar neste trabalho atual, o dia anterior ao meu primeiro embarque eu fui para a barraquinha do Raul pela última vez. Dois meses depois eu estava de volta, mas ele se foi. Eu realmente não me senti tão triste, mas agora o acarajé foi arruinado para mim porque nunca mais foi o acarajé do Raul. Eu não pensei muito nisso e continuei meu trabalho, mas 6 meses depois quando estava andando pela Lapa com meus amigos, nós o achamos, aquele homem grande e alegre vendendo seu acarajé. Corri até ele e perguntei por onde ele estava, ele não disse muita coisa, somente balançou a cabeça e disse “Meu amigo, quantos acarajés para você hoje? ”. Ele não respondeu minha pergunta, mas eu não liguei, pelo menos havia encontrado ele novamente.

 

Ele permaneceu na Lapa durante uns 10 meses, mas novamente eu voltava de um trabalho, fui direto até a Lapa para o acarajé do Raul e ele não estava lá. Desta vez eu perguntei aos proprietários dos bares ao redor e cada um deles me dava diferentes respostas: “ele está em Copacabana”, “ele está perto do Cristo Redentor”, “ele foi embora do Rio”. Eu verifiquei todos, e mais uma vez perdi a esperança de comer seu delicioso acarajé. Em seguida, 4 meses mais tarde eu voltei de um serviço, andando por Ipanema e lá estava ele, aquele lindo homem, grande e sorridente, talvez chamado Raul, que vendia o melhor acarajé do Rio.

 

Essa tendência continuou. Eu encontrava o Raul e o perdia, achava novamente e perdia novamente. Estou agora com 24 anos e infelizmente faz 2 anos que vejo o Raul. A última vez que o vi foi perto da praia do Botafogo, perto do Centro Empresarial Mourisco. Eu não duvido que ele ainda esteja no Rio, ainda vendendo seu acarajé. Talvez se tiver sorte e ver um cara grande e alegre sentado numa barraquinha com o nome “Raul” escrito no lado, você pode experimentar o melhor acarajé de todo o mundo.