Chegamos em São Paulo no início de março. Eu não tinha nacionalidade e nem documentação, somente meu nome.

Chegamos em São Paulo no início de março. Eu não tinha nacionalidade e nem documentação, somente meu nome. No entanto, como um bebê, felizmente os funcionários foram brandos comigo. Não frequentei a escola pelos primeiros 10 anos da minha vida e vivi em favelas com meu tio e tia que possuíam um pequeno açougue. Eu cresci pensando em minha irmã como uma mãe, por me ensinar, me banhar e me alimentar. Todos os dias do meu crescimento, eu tinha que lavar o sangue para fora da loja. Eu sempre via outras crianças jogando futebol, e depois dos meus deveres terminados, eu me juntava a elas.

O futebol era  vida para mim e eu jogaria todos os dias

Futebol era a vida para mim e eu jogaria todos os dias. Um dia, quando eu tinha 14 anos, jogando na terra com meus amigos, como de costume, um homem veio nos assistir. Não pensamos nada na hora, mas depois que terminamos de jogar, ele veio até nós. Ele disse que jogávamos muito bem e me convidou para jogar no campo de treinamento do Santos FC. Meus amigos e eu estávamos em êxtase. Eu corri para casa para a minha família e disse a boa notícia. Eu fui no sábado seguinte ao clube para jogar. Havia vários garotos lá e jogamos o dia todo. Eu me saí bem, marcando gols e fazendo boas jogadas. O homem veio até a mim e disse que ficaria encantado de me oferecer um trabalho com a equipe. No entanto, infelizmente, devido ao meu nascimento anormal, eu não era legalmente um cidadão e não poderia jogar para a equipe. Fiquei arrasado.

 

Eu voltei para casa aos prantos e minha família me consolou. Eu não joguei futebol novamente; perturbado eu só trabalhava no açougue até que um dia um homem entrou na loja. Era o homem do Santos, o homem que me pediu para jogar pela primeira vez e ele me trouxe um presente. Era a documentação para me legalizar como um cidadão e um contrato para jogar. Esta foi a maneira que consegui adquirir a minha nacionalidade e realizar o sonho de jogar futebol para ganhar a vida. Serei sempre grato àquele homem e à minha família. Deus foi realmente muito bom para mim e agora eu posso retribuir-lhe, vivendo uma vida boa e feliz e jogando pelo Santos.