O entomólogo brasileiro Ângelo Machado foi homenageado pela renomada revista científica Zootaxa. Ele ganhou uma edição especial cobrindo sua vida e legado com cerca de 400 páginas, algo bastante incomum de acontecer a um cientista ainda em vida.

 

Aos 81 anos, Ângelo Machado reúne em seu currículo os títulos de entomólogo, neurologista, ambientalista e escritor. Entre as suas principais paixões estão as libélulas, das quais descreveu cerca de 100 das 859 espécies conhecidas no Brasil.

 

Machado é o fundador da Fundação Biodiversitas, que visa preservar espécies ameaçadas de extinção, e foi presidente da comissão de meio-ambiente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), além de membro do conselho editorial das revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças.

 

Paixão pelas libélulas começou bem cedo

Começou a coletar insetos ainda jovem, em Minas Gerais, e deu seus primeiros passos em um estudo mais estruturado da ciência ao 16 anos, quando apresentou o pai da odonatologia brasileira, Newton Dias dos Santos, do Museu Nacional, a sua coleção de libélulas. Ganhou um livro de estudos, que o inspirou em sua jornada.

 

Na entanto, Machado formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), curso no qual os laboratórios e centros de pesquisa eram melhor estruturados. Por conta disso, apesar de exercer a profissão de médico, seus estudos concentraram-se em pesquisas sobre neuroanatomia da glândula pineal.

 

Foi somente em 1987, após anos de dedicação às libélulas como hobby, que ele se tornou professor de entomologia na UFMG e inicou-se na literatura e na divulgação científica.

 

Coleção de Machado tem 35 mil libélulas

Hoje, Machado tem 55 espécies descritas em sua homenagem, dentre libélulas, borboletas, aranhas, abelhas, joaninhas, besouros, entre outros. Sua coleção particular de libélulas foi doada recentemente para a UFMG, e é a segunda maior da América Latina, com 35 mil exemplares de mais de 1.050 espécies – em primeiro lugar está a coleção do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

 

Enquanto escritor, publicou 40 livros (37 títulos voltados para o público infantil) e sete peças de teatro, sempre com temas voltados para a natureza. Entre os seus títulos publicados estão “Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Guará” e “Manual de sobrevivência em festas e recepções com buffet escasso”, mas o seu grande destaque ficou com o livro “O Velho da Montanha – Uma aventura amazônica”, que ganhou o Prêmio Jabuti em 1992.

 

Apesar da idade avançada, Ângelo Machado continua trabalhando, escrevendo, fazendo palestras, acompanhando alunos e descrevendo espécies de libélulas.