A comprovação da existência das ondas gravitacionais (oscilações do espaço-tempo), a última teoria de Einstein que ainda não tinha sido validada na prática, trouxe grande emoção à comunidade científica mundial recentemente.

 

E entre os pesquisadores responsáveis pela descoberta estão sete brasileiros, dentre estes seis integrantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizado em São José dos Campos, São Paulo.

 

Odylio Denys de Aguiar, Marcio Constâncio Júnior, César Augusto Costa, Allan Douglas dos Santos Silva, Elvis Camilo Ferreira e Marcos André Okada, do Inpe, e Riccardo Sturani, pesquisador do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp) atuaram no projeto, juntamente com uma equipe colaborativa de mais de mil cientistas de 15 países. Foram mais de 90 universidades e institutos de pesquisas envolvidos na busca por essa comprovação histórica.

 

Esta descoberta deve-se ao projeto Ligo (da sigla em inglês Laser Interferometer Gravitacional-wave Observatory), o qual detectou com sucesso, em 14 de setembro de 2015, às 6h51 (horário de Brasília), ondas gravitacionais resultantes de um evento denominado GW 150914 – a colisão e fusão de dois buracos negros em uma galáxia mais de 1 bilhão de anos-luz distante do planeta Terra.

 

Colaboração viabilizou o projeto

Diante da grandeza do projeto, os milhares de cientistas envolvidos atuam em grupos menores, estudando pontos específicos. No Brasil, o grupo de pesquisadores do Inpe, liderado por Odylio Denys de Aguiar, atua no aprimoramento da instrumentação de isolamento vibracional do Ligo e na caracterização dos detectores.

 

Enquanto isso, Riccardo Sturani e sua equipe, do IFT-Unesp, trabalha na modelagem – a qual envolve técnicas de análises capazes de facilitar a detecção das ondas gravitacionais, tarefa difícil por conta da fraca interação destas com a matéria – e na análise dos dados de sinais de sistemas estelares binários coascentes.

 

Apesar da observação ter acontecido em setembro, foram precisos alguns meses para que a tomada de dados fosse completada – fase concluída em janeiro. A análise completa da descoberta deve ser publicada em abril.

 

“Essa primeira observação das ondas gravitacionais abre uma nova janela de observação do Universo e marca o início de uma nova era na pesquisa em Astronomia e Astrofísica”, disse César Augusto Costa, pesquisador do Inpe, em entrevista para a Exame.

 

O Ligo é um sistema que integra dois detectores idênticos, desenvolvido por pesquisadores do MIT e da Caltech. Ambos estão localizados nos Estados Unidos, um em Livingston (Louisiana) e outro Hanford (Washington), a cerca de 3 mil quilômetros de distância entre si.