Suspeita de suicídio em morte de fotógrafo acusado de estupro de menores

O fotógrafo e cineasta David Hamilton, famoso por sua exploração da nudez de pré-adolescentes, foi encontrado morto em seu apartamento em Paris nesta sexta-feira (25/11). Poucas semanas antes, o inglês de 83 anos fora acusado de estupro por diversas ex-modelos que ele fotografou quando eram menores de idade.

Segundo a polícia, ele sofreu uma parada cardíaca na residência no Boulevard Montparnasse. A presença de medicamentos nas proximidades do corpo reforça a hipótese de suicídio.

Cerca de uma semana atrás, em entrevista filmada, a apresentadora francesa de TV Flavie Flament o denunciou como o homem que a teria violentado em 1987, quando contava 13 anos de idade.

Antes, ela relatara o episódio em seu romance autobiográfico La consolation, publicado em outubro. Embora não revelasse o nome de Hamilton, é justamente uma foto tirada por ele que ilustra a capa do livro. Em seguida, várias outras ex-modelos do fotógrafo britânico vieram a público, acusando-o de tê-las violado na adolescência.

"Últimos 15 minutos de fama"

Na obra de David Hamilton são onipresentes as pré-adolescentes nuas ou seminuas, captadas em situações homoeróticas, em que o foco suave cria uma atmosfera sensual-impressionista.

Os trabalhos desse esteta das "meninas em flor" têm sido publicados extensamente em livros e revistas de moda de luxo e exibidos em museus e galerias. Paralelamente, ele dirigiu seis filmes entre 1975 e 1983, entre os quais Bilitis (1977) e Tendres cousines (Carinhosas primas, 1980). Para certos observadores, contudo, em vez de arte, sua obra não passa de "pornô soft".

Hamilton confirmou ter fotografado Flavie Flament, mas rechaçou as acusações de violência sexual, anunciando que tomaria medidas jurídicas. "Não fiz nada de reprovável", assegurou o octogenário à agência de notícias AFP, na terça-feira. "Está claro que a instigadora desse linchamento midiático está buscando seus últimos 15 minutos de fama, me difamando no romance dela."

"Covardia dele nos condena de novo ao silêncio"

Após a notícia da morte do fotógrafo, a apresentadora da rede RTL se disse consternada, em comunicado escrito. No entanto, ela estaria pensando, antes, "nas numerosas meninas, algumas das quais se manifestaram com coragem e emoção nestas últimas semanas" e "nesta injustiça que estávamos no processo de combater, juntas."

"Por sua covardia, [Hamilton] nos condena de novo ao silêncio e à incapacidade de vê-lo condenado. O horror desse anúncio [de morte] não conseguirá jamais apagar os horrores de nossas noites insones", condenou Flament.

Segundo a legislação da França, o crime de estupro prescreve após 20 anos, enquanto para o abuso sexual o prazo é de apenas dez anos. No contexto das alegações contra David Hamilton, contudo, a ministra francesa da Família, Infância e Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol, pedira na terça-feira a Flavie Flament que encabeçasse uma moção pela extensão do prazo da prescrição.

AV/afp/ap/rtr/dpa

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