Diretor e equipe de "Joaquim" protestam contra governo Temer em Berlim

O longa-metragem brasileiro Joaquim, que concorre ao Urso de Ouro, estreou nesta quinta-feira (16/02) no Festival de Cinema de Berlim, a Berlinale, com um protesto do diretor Marcelo Gomes e de sua equipe contra o governo do presidente Michel Temer.

"Os brasileiros e nós decidimos resistir ao governo que chegou ilegitimamente ao poder", afirmou Gomes, no final da exibição, ao lado dos atores principais do filme, incluindo Júlio Machado, que interpretou o personagem do título, e da equipe de produção.

Em inglês, o diretor leu um manifesto no qual afirmou que a democracia brasileira está em risco. Gomes disse ainda que o "governo ilegítimo" que assumiu o poder no Brasil representa uma ameaça aos direitos da população, incluindo a educação.

Após a leitura, o diretor foi ovacionado pela plateia. O protesto contra o presidente começou antes mesmo da exibição do longa. Na entrada do diretor na sala de cinema, parte do público levantou cartazes com manifestos contra o governo. Já o grito de "Fora, Temer!" ecoou por todos os cantos do teatro no início do filme.

A sessão da coprodução luso-brasileira contou ainda com a presença do embaixador de Portugal em Berlim, João Mira Gomes.

O longa Joaquim, ambientado no século 18, é livremente inspirado na história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, soldado do Império que se tornou líder da Inconfidência Mineira. Este ano, o Brasil volta a concorrer ao prêmio principal do festival depois de três anos.

Desde a primeira edição do Festival de Cinema de Berlim, em 1951, o Brasil já concorreu 24 vezes ao prêmio principal e foi contemplado duas vezes: em 1998, com Central do Brasil, de Walter Salles, e em 2008, com Tropa de Elite, de José Padilha. A última vez que um filme brasileiro concorreu ao Urso de Ouro foi em 2014, com Praia do Futuro, de Karim Ainouz.

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