Opep fecha primeiro acordo de corte de produção desde 2008

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou nesta quarta-feira (30/11) um acordo para reduzir sua produção. O corte, uma tentativa de aumentar o preço do petróleo, que vem caindo devido ao excesso de oferta, é o primeiro a ser acordado pela Opep desde 2008.

A produção será reduzida para um limite de 32,5 milhões de barris por dia em 2017. Atualmente, os países da organização produzem 33,7 milhões de barris diariamente. O acordo está em linha com o proposto em setembro pela Argélia, que previa um corte de 1,2 milhão de barris por dia, mais de 3%.

O país que terá a maior redução, segundo o acordo, será a Arábia Saudita, com um corte de 486 mil barris diários. Atualmente, o país produz sozinho 10 milhões de barris por dia.

O acordo foi anunciado pelo ministro de Energia do Catar, Mohammed Bin Saleh Al-Sada, que presidiu uma conferência entre os 14 países-membros da Opep, realizada em Viena, na Áustria, nesta quarta-feira. Ele informou que o pacto entrará em vigor em 1º de janeiro de 2017.

Em pronunciamento à imprensa ao final da conferência, Al-Sada confirmou ainda que a Rússia, que não faz parte da Opep, também se comprometeu a reduzir sua produção em 300 mil barris por dia. Já a Indonésia suspendeu sua adesão à organização por discordar do corte, disse o ministro.

O acordo animou o mercado e fez com que o preço da commodity disparasse nesta quarta-feira. O petróleo Brent chegou a subir 8,6%, sendo comercializado a 50,36 dólares o barril.

No Brasil, as ações da Petrobras – que se posicionou contra o corte da produção de petróleo – subiram quase 10% nas negociações durante a tarde, liderando as altas do Ibovespa.

O preço do petróleo caiu mais de 50% desde meados de 2014, quando o barril era cotado a mais de 100 dólares e chegou, no início deste ano, a ser comercializado por 30 dólares. Essa queda causou problemas nas economias de alguns países exportadores, como a Venezuela e a Rússia. Os países da Opep, a maioria na África e Oriente Médio, fornecem cerca de 40% da oferta mundial de petróleo.

EK/afp/ap/efe/lusa/rtr

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