Obama encerra Apec com apelo ao livre-comércio

Em meio ao clima de incerteza diante da vitória de Donald Trump nas eleições americanas, o presidente Barack Obama defendeu neste domingo (20/11) o livre-comércio. O democrata, que falava durante o encerramento da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em Lima, no Peru, também aproveitou o fórum para alertar o sucessor sobre eventuais desvios morais. A cúpula terminou com um apelo dos países-membros pelo combate ao protecionismo.

Em sua última coletiva de imprensa internacional, Obama pediu aos líderes mundiais em Lima que não desistam dos acordos de livre-comércio. Como exemplo, citou o Tratado Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), um grande acordo de comércio entre EUA, Japão e mais dez países negociado durante seu governo, mas ainda sem aprovação do Congresso.

"Quando o assunto é comércio, acredito que a resposta não é recuar,” disse Obama. "A resposta é um comércio correto, garantindo o cumprimento de rígidas normas trabalhistas, padrões ambientais; que vislumbre maneiras de fazer com que trabalhadores e pessoas comuns se beneficiem do comércio mundial ao invés de serem prejudicadas por ele.”

Os comentários de Obama surgem em meio aos receios de que Trump cumpra com suas promessas feitas ao longo da campanha de abandonar ou renegociar acordos comerciais.

Protecionismo

Os 21 países reunidos na Apec encerraram o encontro com a promessa de trabalhar rumo a um acordo de livre-comércio abrangente, que inclua todos os membros, apesar do clima político incerto.

"Reafirmamos nosso compromisso de manter nossos mercados abertos e de lutar contra todas as formas de protecionismo", disseram os líderes da cúpula, em um comunicado conjunto.

De acordo com o presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, o maior obstáculo aos acordos de livre-comércio pelo mundo é a frustração sentida por aqueles deixados de lado pela globalização.

"Protecionismo, na verdade, é o reflexo de condições econômicas rígidas”, concluiu o anfitrião.

Sucessão

Durante a conferência, Obama também falou sobre seu provável futuro político após deixar o cargo para Donald Trump em janeiro. Em uma referência à longa tradição de silêncio observada entre ex-presidentes americanos, o democrata disse que deixará Trump governar sem "se intrometer a cada momento”, mas que não vai poupar críticas ao governo do sucessor, caso haja desvio de determinados "valores ou ideais” americanos.

"Se houver questões que tenham menos a ver com as especificidades de alguma proposta legislativa ou que vão de encontro aos nossos valores ou ideais, e eu, como cidadão americano que se importa profundamente com nosso país, ache que é necessário ou útil defender esses ideais, examinarei o caso na hora oportuna”, disse Obama a jornalistas.

IP/ap/afp/ dpa/rtr

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