Governo alemão planeja selo de bem-estar animal para carne

Agricultura mais sustentável e o bem-estar dos animais na produção de carne estão entre os principais temas da Semana Verde (Grüne Woche), maior feira internacional de agricultura do planeta, realizada até o próximo domingo em Berlim.

Como todos os anos, cerca de 100 organizações aproveitam o evento para chamar a atenção para suas reivindicações, convocando para uma grande passeata no centro da capital alemã. O protesto reuniu neste sábado (21/01) cerca de 18 mil, que pediram uma mudança na política agrícola do governo alemão, mais apoio à agricultura orgânica, a alimentação saudável, assim como para o fair trade, o comércio justo de alimentos.

Com base num plano de nove pontos, os manifestantes pediram o fim dos subsídios para grandes empresas agrícolas e das grandes fusões no setor agrícola. Associações de direitos do consumidor e direitos dos animais participantes da manifestação criticam severamente o ministro alemão da Agricultura, Christian Schmidt, afirmando que ele é o chefe de pasta "mais fraco das últimas três décadas". As grandes indústrias da carne e da pecuária também são alvo de críticas dos ativistas, que as responsabilizam pelo fechamento de pequenos estabelecimentos agrícolas e de suinocultura alemães.

Rótulo para bem-estar animal

Poucas horas antes da manifestação, o ministro Christian Schmidt afirmou querer introduzir uma nova regulamentação para rotulagem de carnes. Durante a Semana Verde, anunciou que apresentará novos rótulos estatais para destacar mercadorias produzidas visando um melhor bem-estar dos animais.

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A princípio, os compradores de carne de porco poderão reconhecer quando o criador excedeu as exigências legais, dando aos animais mais espaço e ração de melhor qualidade, por exemplo. Mais tarde, produtos avícolas e de carne bovina serão também rotulados segundo esses critérios.

Os agricultores que obtiverem o selo de qualidade deverão receber mais apoio financeiro dos governos federal e regionais da Alemanha. E os consumidores poderão decidir por si próprios se querem gastar mais com as mercadorias rotuladas. De acordo com um estudo recente da organização ambientalista Greenpeace, 89% dos alemães são a favor de uma rotulagem estatal para a carne. No entanto 79% querem a rotulagem obrigatória, enquanto o ministro Schmidt prefere um esquema voluntário.

Ideia da iniciativa privada

No entanto, o rótulo não é ideia do Ministério da Agricultura, mas sim da Initiative Tierwolhl (bem-estar animal), uma associação reunindo empresas e organizações de agricultura, da indústria de carne e de varejo de alimentos, com objetivo de ampliar os padrões na criação de animais para produção de carne.

As empresas que integram o projeto arcam com o financiamento, ao pagar 0,04 euro por cada quilo de produto de carne vendido, o que rende um total de 255 milhões de euros para os próximos três anos. Essa verba reverte para os pecuaristas expandirem seus estábulos além do que exige a legislação, tornando os estabelecimentos ambientalmente mais sustentáveis e melhorando o bem-estar dos animais.

A iniciativa parece ir ao encontro do desejo dos consumidores alemães. "Mais de dois terços dos consumidores querem essa informação", diz Klaus Müller, da Federação das Associações Alemãs de Consumidores (VZBV), em entrevista ao jornal Südwestpresse. Ele é a favor que tal rótulo seja realizado da forma mais simples possível, e acredita que os consumidores alemães estão dispostos a pagar mais por mercadorias produzidas respeitando o bem-estar animal.

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