UE e Canadá assinam polêmico acordo comercial

Autoridades de Canadá e União Europeia assinaram neste domingo (30/10) em Bruxelas o controverso acordo de livre-comércio que, após sete anos de negociações, chegou a ser ameaçado pela resistência da minoria francófona belga, equivalente a menos de 1% do total da população do bloco.

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A assinatura do acordo, conhecido pela sigla Ceta, permite apenas a implementação parcial, com a eliminação, a partir de 2017, de alguns impostos. Para entrar plenamente em vigor, o pacto ainda precisará do aval de cerca de 40 legislativos nacionais e regionais, o que pode levar anos.

"Tudo fica bem quando termina bem", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao lado do premiê canadense, Justin Trudeau. "Temos 20 negociações em andamento, e hoje estamos estabelecendo parâmetros que a UE quer que os outros aceitem."

O Ceta pretende eliminar 98% das tarifas alfandegárias entre canadenses e europeus e é visto por muitos como um modelo para o TTIP, negociado entre UE e EUA e que anda a passos mais lentos do que o previsto,sendo dado por fracassado por alguns analistas e políticos.

Os defensores do Ceta dizem que o pacto vai reforçar o crescimento econômico e a geração de empregos. Mas os críticos, que ganham cada vez mais força entre a população europeia, temem uma redução dos padrões europeus em áreas como legislação trabalhista, direito dos consumidores e proteção ambiental.

Neste domingo, manifestantes protestaram em frente à sede do Conselho Europeu contra a assinatura do acordo de livre-comércio. Alguns conseguiram passar pelas barreiras policiais e ter acesso ao edifício. Vestidos de branco, eles jogaram tinta sobre as forças de segurança.

O acordo é um ambicioso pacto comercial que alguns movimentos sociais criticam por entenderem que não respeita o meio ambiente, que foi negociado sem transparência e que favorece as multinacionais, em vez dos cidadãos.

O acordo de livre-comércio com o Canadá já tinha a aprovação dos governos dos 28 membros da UE quando acabou travado pela resistência de regiões do sul da Bélgica, lideradas pela Valônia, de apenas 3 milhões de habitantes.

Para que o impasse fosse resolvido, na última quinta-feira, o texto original do tratado teve de ser modificado, adiando a assinatura para este domingo. O acordo espera aumentar as trocas entre ambos os territórios em 20 bilhões de euros ao ano.

RPR/dpa/ap

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