As empresas internacionais citadas na Operação Lava Jato

Maior investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro do Brasil, iniciada em março de 2014, a Operação Lava Jato tem hoje forte impacto internacional. Além de ter alcançado a Petrobras e as maiores empreiteiras brasileiras, o que teve consequências visíveis na economia do país, a Lava Jato tem firmado parcerias com dezenas de outros países para apurar também se há envolvimento de empresas com sede fora do país.

O esquema de corrupção, segundo os investigadores, funcionou por mais de uma década da seguinte forma: empresas, que se organizavam em cartel, pagavam propina a altos executivos da Petrobras e a agentes públicos para fechar contratos bilionários e superfaturados. A propina variava de 1% a 5% do valor global dos contratos.

Algumas investigações já foram oficialmente iniciadas, mas há vários casos em que empresas apenas foram citadas em acordos de delação premiada (com pessoas físicas). Estima-se, com base em vazamentos de delações, que mais de 20 empresas estrangeiras, incluindo multinacionais e de pequeno porte, estejam na mira da Lava Jato.

1) Rolls-Royce: a multinacional inglesa já firmou acordo de leniência nos Estados Unidos e Brasil. Vai pagar multa de 671 milhões de libras (808 milhões de dólares) por corrupção e pagamento de propinas. Desse total, 169,9 milhões de dólares serão para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e 26 milhões dólares ao Brasil, remetidos aos cofres da Petrobras. A Rolls-Royce diz que vai publicar as multas em seu balanço a ser divulgado no dia 14 de fevereiro e se compromete a colaborar com as investigações. O governo do Reino Unido vai receber 497,3 milhões de libras (603,5 milhões de dólares) da empresa, por fraudes cometidas. Investigações apontam que houve pagamento de propina em 12 países, incluindo China e Indonésia. A Rolls-Royce fornece turbinas de geração de energia para plataformas de petróleo e foi citada pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco.

2) Samsung Heavy Industries: a sul-coreana foi citada em delação de executivos da Petrobras por suposto pagamento de propina em contratos para construção dos navios-sonda Petrobras 10000. Auditoria na estatal brasileira já apontou superfaturamento de cerca de 12 milhões de dólares nos contratos. A força-tarefa da Lava Jato já teria detectado recursos da empresa que passaram por uma offshore, a Goodal Trade Inc, também investigada.

3) Skanska: a empreiteira sueca ganhou licitações para manutenção de plataformas, a construção de uma usina térmica no estado do Rio e outros serviços avaliados em mais de 700 milhões de reais. A Petrobras suspendeu contratos futuros com a Skanka. A Skanska declarou à DW que "conduz seus negócios com alto grau de integridade e ética e está à disposição das autoridades para colaborar nas investigações”.

4) Techint: a empresa italiana obteve, em um único consórcio com a empreiteira Andrade Gutierrez, um contrato no valor de 2,5 bilhões de reais para a construção de uma unidade de coque no Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). A Petrobras determinou a suspensão de contratos futuros com a Techint. A empresa afirma respeitar rigorosamente a legislação brasileira e que "não houve irregularidade nas contratações dos projetos que executou ou executa para a Petrobras". Ela criticou, ainda, o bloqueio imposto pela estatal.

5) SBM Offshore: a empresa holandesa fornece navios-plataforma para a Petrobras e tinha contratos no valor de 27 bilhões de dólares. É investigada por supostamente obter vantagens indevidas e pagar propina a funcionários públicos federais. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou em 2015 "graves irregularidades" na relação entre a SBM e a Petrobras.

Veículos de imprensa no Brasil também citaram os nomes das seguintes empresas que teriam direta ou indiretamente aparecido em delações: Maersk, Jurong, Kawasaki, Keppel Fels, Mitsubishi, SBM, Sembcorp Marine, Mitsui, Toshiba, Sargent Marine, Astra Oil, GB Marine, Trafigura, Glencore, Ocean Rig e Sevan. Possíveis acusações contra elas não são conhecidas.

As brasileiras

No Brasil, as empreiteiras são o principal foco de investigação. Vários executivos e ex-dirigentes das construturas mais importantes do país fecharam acordos de delação premiada e estão em curso também negociações de acordo de leniência (com pessoas jurídicas).

As investigações já conhecidas no Brasil envolvem as seguintes empresas: Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS Construções, Camargo Correa, UTC, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, Engevix, Toyo Setal, Eletronuclear, Eletrobras, Promon, MPE Montagens Industriais, Iesa, GDK, Alusa, Carioca Engenharia, Schahin, Setal Engenharia, Sano-Sider.

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