Cúpula do Brics se encerra com poucos resultados

A 8ª cúpula do Brics, realizada em Cavelossim, no estado indiano de Goa, encerrou-se neste domingo (16/10) sem grandes resultados, o que se reflete no comunicado final do encontro, que faz um apelo à recuperação econômica mundial e destaca a importância do combate ao terrorismo.

Um dos pontos da agenda era a criação de uma agência de rating do Brics, mas os países-membros não avançaram nessa questão. Eles concordaram que o processo deve ser acelerado e disseram estar abertos a sugestões de especialistas, mas não estabeleceram um prazo para a criação da agência.

A ideia de criar uma agência própria surgiu em meio às acusações de que as três agências tradicionais – Moody's, Standard & Poor's e Fitch Ratings – favorecem as economias da nações industrializadas em suas avaliações.

Também não houve avanços na criação de uma área de livre-comércio. Antes do encontro, a China havia sugerido que o tema fosse incluído na agenda, mas ele nem sequer consta da declaração final.

Já o chamado Banco dos Brics – cujo nome oficial é Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – foi muito elogiado em Goa pelos seus créditos para projetos de desenvolvimento sustentável e energias limpas. Os créditos já totalizam mais de 900 milhões de dólares e contemplam projetos nos cinco países do Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A ideia agora é ampliar a concessão de empréstimos, chegando a 2,5 bilhões de dólares no fim de 2017.

Os líderes do Brics assinaram alguns acordos, incluindo um para o fomento da pesquisa na área de agricultura. Eles também concordaram em combater de forma conjunta crimes como evasão fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção.

Uma antiga reivindicação brasileira, a reforma do Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais "representativo e eficiente", também foi destacada na declaração final, que pede uma "transição rumo a uma ordem internacional mais justa, democrática e baseada no papel central da Organização das Nações Unidas (ONU)".

A inclusão do tema terrorismo no documento deu-se principalmente por iniciativa do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que pediu à comunidade internacional para que aja com "decisão" contra as fontes que financiam e apoiam grupos extremistas, numa menção indireta ao vizinho Paquistão.

"Condenamos de maneira enérgica os recentes ataques contra alguns países do Brics, incluindo esse último na Índia", afirma o texto, que, porém, não inclui uma advertência ao Paquistão, como queria a Índia. O Paquistão é um aliado próximo da China.

Em 18 de setembro, um ataque a uma base militar na região indiana da Caxemira, perto da fronteira com o Paquistão, deixou 19 soldados indianos mortos. O Paquistão nega qualquer envolvimento.

AS/ap/rtr/afp/dpa/abr

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