"Luzes se apagaram e não lembro de mais nada", diz aeromoça

Dois sobreviventes da tragédia aérea com o avião que transportava a equipe da Chapecoense, na Colômbia, e que resultou em 71 mortos, deram suas primeiras declarações ainda nesta terça-feira (29/11).

"As luzes se apagaram e não lembro de mais nada", relatou a aeromoça da empresa aérea boliviana LaMia, Ximena Suárez, à secretária de governo do departamento de Antioquia, Victoria Eugenia Ramírez. Suárez foi resgatada na montanha El Gordo, localizada no município de La Unión, onde aconteceu o acidente.

Outro sobrevivente, o comissário de bordo Erwin Tumiri, afirmou a jornalistas que sobreviveu porque seguiu os protocolos de segurança. "Diante da situação, muitos se levantaram de seus lugares e começaram a gritar. Eu coloquei as malas entre minhas pernas para formar a posição fetal recomendada nesses casos de acidentes."

Além de Ximena e Tumiri, também sobreviveram ao acidente os jogadores Alan Ruschel, Jackson Follmann e Hélio Neto, e o jornalista Rafael Henzel, que foram internados em hospitais próximos de Medellín. Follmann teve a perna direita amputada. Neto permanecia em cuidados intensivos, com traumas severos no crânio, no tórax e pulmões. Ruschel foi submetido a uma operação na coluna.

Falta de combustível e pane elétrica

O avião da LaMia, um modelo Avro RJ85 com 77 pessoas a bordo, declarou estado de emergência no início da madrugada desta terça-feira (horário de Brasília), comunicando uma pane elétrica quando se aproximava do Aeroporto Internacional José María Córdova, em Medellín.

Além da pane elétrica, especialistas falam que o avião pode ter ficado sem combustível, uma hipótese que é reforçada pelo fato de ele não ter explodido ao se chocar contra o solo. Além disso, uma chuva forte atingia a região no momento do acidente, o que pode ter contribuído para a tragédia.

Especialistas ouvidos pela agência de notícias Efe afirmaram que a autonomia de voo do modelo Avro RJ85 é muito reduzida, o que reforça a possibilidade de que a aeronave tenha ficado sem combustível. A falta de combustível, por sua vez, explicaria a pane elétrica comunicada pelo piloto ao aeroporto.

Há ainda o relato anônimo de um piloto da Avianca à Radio Caracol, da Colômbia. Ele viajava nas proximidades do voo da Chapecoense e disse que a tripulação da LaMia solicitou prioridade para pousar por estar sem combustível. Depois, comunicou falha elétrica.

Segundo outros relatos, teria acontecido uma emergência no aeroporto de Medellín. Um Airbus 320 da empresa Viva Colômbia recebeu prioridade para pousar por estar com sinais de vazamento de combustível. Por causa disso, o avião da Chapecoense teria entrado na fila de espera, aguardando autorização para o pouso.

Jogador pede investigação do avião

O atacante Miguel Borja, do Atlético Nacional, pediu que seja investigado o estado prévio em que se encontrava o avião, lembrando que várias equipes já viajaram nele. "É o mesmo avião, a mesma tripulação, o mesmo capitão. Nesse avião, às vezes, tivemos que parar para colocar combustível, isso dá para investigar", disse o atacante à emissora Win Sports.

O avião levou, em várias oportunidades, tanto os jogadores do Atlético Nacional como os da seleção colombiana, disse Borja. "É difícil porque poderíamos ser nós, já que várias vezes viajamos nesse avião. Isso nos faz refletir sobre a vida. Em nossos corações há sentimentos. O mundo do futebol se está dando conta do que passou", afirmou o atacante.

Investigadores brasileiros se deslocaram para a Colômbia para ajudar na análise das caixas pretas do avião, que foram encontradas em perfeito estado no local do acidente. As investigações da causa do acidente começarão nesta quarta-feira. A Bolívia, país onde a empresa LaMia tem sua sede, e o Reino Unido, país do fabricantes da aeronave, também enviaram especialistas para ajudar nos trabalhos.

AS/efe/rtr/ap

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