Executivos da Odebrecht começam a assinar acordos de delação

O empresário Marcelo Odebrecht e dezenas de funcionários da empreiteira Odebrecht deram início nesta quarta-feira (23/11) à assinatura de acordos de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato, o que pode se estender até sexta-feira, segundo estimou a imprensa brasileira.

Os termos dos acordos estão sob sigilo e não terão seus detalhes divulgados. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, cerca de 80 executivos da empresa devem assinar a delação individualmente.

O diário O Globo afirmou que delatores e advogados de boa parte dos investigados estão em Brasília desde esta terça-feira para tratar das negociações, que já se arrastam desde março deste ano.

Após assinatura da delação premiada, os funcionários passarão a prestar depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF). Por se tratar de dezenas de delatores, estima-se que essa fase dure mais de um mês, já que cada um deve ser ouvido separadamente, informou o portal de notícias G1.

O próximo passo é a homologação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), necessária para que as declarações sejam validadas. Os depoimentos só deverão ser enviados à corte no início de 2017.

A delação premiada da Odebrecht é uma das mais esperadas desde o começo da Lava Jato. Segundo O Globo, que citou uma fonte próxima ao caso, os acordos têm potencial para provocar forte impacto nas investigações e colocar em cheque o sistema de financiamento político do país.

De acordo com a fonte, os depoimentos devem atingir os principais presidenciáveis. O jornal carioca afirma ainda que os funcionários da empreiteira citaram nomes de pelo menos 150 políticos, entre governadores, deputados, senadores e ministros, além do presidente Michel Temer.

Em conversas preliminares já foram mencionados também nomes como os dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e do ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Reportagem da revista Veja diz que um executivo afirmou que entregou 10 milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha de Temer em 2014. Ainda não se sabe se o valor envolve caixa 2, mas investigadores da Lava Jato normalmente encaram essas transações como pagamento de propina.

Um dos depoimentos mais aguardados pelos procuradores é o do ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Paralelamente, a Odebrecht também negocia um acordo de leniência em Curitiba, que deve envolver o pagamento de 6 bilhões a 7 bilhões de reais em multa. O montante será dividido entre Brasil, que deve ficar com a maior parte, Estados Unidos, onde a empresa mantém negócios, e Suíça.

EK/abr/rtr/ots

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