Odebrecht assina acordo de leniência com a Lava Jato

A empreiteira Odebrecht assinou nesta quinta-feira (01/12) um acordo de leniência – uma espécie de delação premiada, mas para empresas – com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Além de revelar aos investigadores práticas ilícitas cometidas por diretores e funcionários, a construtora se compromete a pagar uma multa de 2,5 bilhões de dólares (cerca de 6,8 bilhões de reais). O valor será dividido entre Brasil, que deve ficar com a maior parte, Estados Unidos e Suíça. Em troca, a companhia garante o direito de continuar sendo contratada pelo poder público.

O jornal Folha de S. Paulo informou que, com a leniência firmada, cerca de 80 executivos da empresa devem assinar acordos de delação premiada individualmente, sendo que boa parte já fez o acerto.

De acordo com o diário O Globo, o presidente do Conselho de Administração e dono da empreiteira, Emílio Odebrecht, e seu filho, o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht, já oficializaram suas delações nesta quinta-feira. Enquanto Emílio assinou o acordo na Procuradoria-Geral da República (PGR) em Brasília, Marcelo o fez em Curitiba, onde está preso desde junho de 2015, diz o jornal.

A Odebrecht é acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, investigado pelos procuradores da Lava Jato. No âmbito da operação, Marcelo Odebrecht foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Em nota oficial, divulgada nesta quinta-feira, a construtora pede desculpas e admite ter cometido "práticas impróprias" em sua atividade empresarial. "Desculpe, a Odebrecht errou", diz o título do comunicado público, que deve ser publicado nos principais jornais brasileiros nesta sexta-feira.

"Reconhecemos nosso envolvimento, fomos coniventes com tais práticas e não as combatemos como deveríamos. Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética. Não admitiremos que isso se repita", afirma o texto.

A delação premiada da Odebrecht é uma das mais esperadas desde o começo da Lava Jato. Segundo O Globo, que citou uma fonte próxima ao caso, os acordos têm potencial para provocar forte impacto nas investigações e colocar em cheque o sistema de financiamento político do país.

De acordo com a fonte, os depoimentos devem atingir os principais presidenciáveis. O jornal carioca afirmou ainda que os funcionários da empreiteira citaram nomes de pelo menos 150 políticos, entre governadores, deputados, senadores e ministros, além do presidente Michel Temer.

Em conversas preliminares já foram mencionados também nomes como os dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e do ministro das Relações Exteriores, José Serra.

EK/abr/efe/ots

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