Reino Unido concede primeira licença para fecundação de "três pais"

O órgão regulador de fertilização humana do Reino Unido concedeu nesta quinta-feira (16/03) ao Centro de Fertilidade de Newcastle, no norte da Inglaterra, a primeira licença para a utilização do método de fecundação de bebês nascidos a partir do DNA de três progenitores.

Em dezembro do ano passado, o controverso método recebeu a aprovação definitiva da Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA), mas para ser aplicado, clínicas precisam solicitar junto ao órgão uma licença. A chamada "fecundação de três pais" havia sido aprovada legalmente no país em 2015, mas em caráter provisório.

A equipe de médicos de Newcastle comemorou a concessão e afirmou que esta é uma ótima notícia. Com a licença, o centro poderá oferecer o procedimento. A instituição, ligada à Universidade de Newcastle, pretende oferecer o tratamento a 25 pacientes por ano.

A técnica de reprodução assistida utiliza o DNA de três progenitores diferentes – pai, mãe e um doador ou doadora – permitindo que casais com mutações genéticas raras possam gerar filhos saudáveis.

O tratamento pode ocorrer de várias maneiras. A técnica aprovada pelo órgão regulador britânico, chamada de transferência pronuclear, implica a fertilização do óvulo da mãe e de uma doadora com o esperma do pai. Os núcleos são retirados antes que os óvulos fertilizados comecem a se dividir, descartando-se em seguida o da doadora e substituindo-o pelo da mãe.

O feto terá uma quantidade mínima de DNA da doadora, mas os elementos que definem as características físicas e a personalidade serão os dos pais. A técnica somente poderá ser aplicada se houver riscos bastante elevados de o bebê desenvolver uma doença mitocondrial.

"Doenças mitocondriais podem ser devastadoras para famílias afetadas, e esse é um dia histórico para pacientes", afirmou o diretor da pesquisa da Universidade de Newcastle, Doug Turnbull.

O primeiro bebê concebido através dessa técnica nasceu no início de 2016 numa clínica do México, onde médicos americanos aplicaram o tratamento num casal jordaniano. Os críticos desse procedimento temem que a aprovação da técnica abra caminho para bebês geneticamente planejados, os chamados "designer babies".

CN/efe/ap/rtr

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