Plutão esconde oceano subterrâneo, dizem cientistas

Cientistas americanos descobriram fortes evidências de que Plutão esconde um oceano subterrâneo em seu interior. Segundo duas pesquisas publicadas nesta semana pela revista científica Nature, a quantidade de água encontrada seria equivalente à acumulada em todos os oceanos da Terra.

A hipótese de que pode haver um mar subterrâneo em Plutão não é nova, mas ganhou força com o resultado das pesquisas recém-divulgadas. Elas são baseadas na análise de imagens captadas pela sonda New Horizon, da Nasa, que sobrevoou Plutão em julho de 2015.

De acordo com os estudos, o mar encontra-se abaixo da superfície da bacia Sputnik Planitia, que é revestida por uma camada de 200 quilômetros de gelo e tem formato de coração. A bacia recebeu este nome após um satélite russo ter explorado a área, em 1957.

Segundo as novas pesquisas, focadas em investigar a estrutura e formação do planeta anão, alguns fatores ajudariam a explicar por que o oceano não congelou. Esse bloco de gelo que fica entre o oceano e a atmosfera é tão sólido e grosso que acaba agindo como isolante térmico.

Além disso, apesar de Plutão estar 40 vezes mais distante do Sol do que a Terra, ainda há calor radioativo no planeta, desde a época de sua formação, há 4,6 bilhões de anos, que seria suficiente para impedir o congelamento da água. Além disso, no oceano há a presença de amônia, substância com efeito anticongelante.

Embora a presença de água num planeta seja considerada condição essencial para existência de vida, as pesquisas apontam que é pouco provável que algum ser vivo sobreviva em um lugar coberto por tanto gelo.

A existência de um oceano submerso também esclarece questões relacionadas à estrutura e movimentação de Plutão. Os cientistas acreditam que o peso dessa massa enorme e gelada é tão grande que alterou os movimentos de rotação do planeta – influenciados pelas marés provocadas pela lua Caronte, a mais próxima de Plutão.

Após sobrevoar a órbita de Plutão, a sonda New Horizon segue agora em direção a um novo planeta gelado do Cinturão de Kuiper, a cerca de 1,6 bilhão de quilômetros de distância de Plutão. A previsão de chegada é janeiro de 2019.

NT/ap/ots

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