Países concordam em eliminar gradualmente gases HFC

Representantes de quase 200 países chegaram neste sábado (15/10) a um acordo para a eliminação gradual dos hidrofluorocarbonetos (HFCs), gases que se encontram em aparelhos de ar-condicionado, refrigeradores, espumas e aerossóis e que têm um forte impacto sobre o efeito estufa e o aquecimento global.

O acordo, adotado em Kigali, capital de Ruanda, após uma semana de negociações e uma reunião que durou toda a noite, complementou o Protocolo de Montreal, assinado em 1987 e que visa preservar a camada de ozônio.

Em Montreal foi acordada a proibição de clorofluorocarbonetos (CFCs), que foram substituídos pelos HFCs, gases que, embora não prejudiquem a camada de ozônio, contribuem significativamente para o aquecimento global.

O acordo de Ruanda poderá evitar um aquecimento de 0,5°C neste século. "Não é frequente ter a oportunidade de conseguir uma redução de 0,5°C, através da adoção de um único acordo global", reconheceu o secretário de Estado americano, John Kerry, após a aprovação da emenda que modifica o protocolo.

Pelo acordo, os países ricos vão eliminar os HFCs de forma mais rápida que os grandes países emergentes, uma concessão que não foi bem recebida por todos os países, incluindo os insulares.

Pior que CO2

Já antes da conferência em Kigali, diversos Estados haviam se comprometido em reduzir o uso de HFCs, gases que são altamente prejudiciais para o clima. Reunidos em Viena, no final de julho, representantes de 25 países exigiram, em declaração conjunta, uma melhora do Protocolo de Montreal. Segundo tais nações, como gás do efeito estufa, o HFC é de cem a mil vezes mais prejudicial do que o dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), esta emenda é "a maior contribuição mundial" aos acordos da cúpula do clima em Paris no ano passado. "No ano passado, em Paris, prometemos manter o mundo a salvo dos piores efeitos das mudanças climáticas. Hoje estamos nos atendo a essa promessa", disse o diretor-executivo do Pnuma, Erik Solheim.

A ONG ambientalista WWF disse que o acordo "é uma grande notícia para o clima".

CA/efe/dpa/afp/dw

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