Nobel de Medicina vai para japonês Yoshinori Ohsumi

O biólogo japonês Yoshinori Ohsumi foi agraciado nesta segunda-feira (03/10) com o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, por suas descobertas sobre como as células reciclam seu conteúdo. O processo é conhecido como autofagia – palavra de origem grega que significa "comer a si próprio".

A teoria surgiu na década de 1960. Os pesquisadores observaram que as células podiam destruir seus próprios componentes, envolvendo-os em membranas e enviando em seguida as vesículas resultantes ao lisossomo, organela celular responsável pela reciclagem.

"As descobertas de Ohsumi levaram a um novo paradigma na compreensão de como as células reciclam seu conteúdo", disse o comitê responsável pelo Nobel. "As descobertas abriram as portas para a compreensão da importância da autofagia em muitos processos fisiológicos, como adaptação à fome e reposta a infecções."

O termo autofagia foi cunhado em 1963 pelo cientista belga Christian de Duve, vencedor do Nobel de Medicina em 1974 pela descoberta do lisossoma duas décadas antes. O que Ohsumi fez, diz o comitê, foi mostrar que essa organela não era um depósito de lixo, mas uma usina de reciclagem.

O processo era difícil de ser estudado – pouco se sabia sobre ele até que, numa série de experiências no início dos anos 1990, Ohsumi usou fermento de padeiro para identificar os genes essenciais à autofagia.

O cientista identificou depois os mecanismos subjacentes à autofagia no fermento e mostrou que as células humanas usam um sistema sofisticado do mesmo tipo. Embora a autofagia seja conhecida há mais de 50 anos, a sua importância fundamental na fisiologia e na medicina só foi reconhecida após a investigação de Ohsumi nos anos 1990.

Falhas no mecanismo, segundo mostrou as pesquisas do biólogo japonês, podem fazer com que o organismo não consiga se livrar do que pode se chamar de "lixo celular", cujo acúmulo pode levar a doenças como câncer e diabetes.

Yoshinori Ohsumi nasceu em 1945 em Fukuoka, no Japão, e terminou o doutorado na Universidade de Tóquio em 1974. Após três anos na Universidade Rockefeller, em Nova York, regressou à capital japonesa, onde estabeleceu a sua equipe de investigação. Desde 2009, é professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio.

RPR/ots

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