Ampliação da Copa é recebida com críticas na Europa

A expansão da Copa do Mundo de futebol, aprovada pela Fifa nesta terça-feira (10/01), gerou preocupações no mundo do futebol. O número de seleções que participarão do evento a partir de 2026 aumentará de 32 para 48.

A Uefa, o órgão máximo do futebol europeu, deverá requerer um aumento de 13 para 16 seleções do continente no novo formato, o que deixaria 1/3 das vagas para as equipes europeias. Mesmo assim, a proposta não foi bem recebida pela Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês), que representa 220 equipes de futebol em 53 países.

"Não conseguimos enxergar os méritos da mudança do formato atual, que provou ser a fórmula perfeita em todas as perspectivas", afirmou a ECA em comunicado. "Questionável ainda é a urgência para tomar uma decisão tão importante, com nove anos até a sua aplicação, sem o envolvimento das partes interessadas que serão impactadas pela mudança."

"Compreendemos que esta decisão foi tomada com base em razões políticas em vez de esportivas, e sob pressão política considerável, algo que a ECA considera ser lamentável", diz a nota.

Há ainda preocupações de que o formato de grupos com três seleções possa fazer com que as equipes que disputam a última partida dessa fase joguem por um resultado que classifique ambas.

O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Reinhard Grindel, levantou dúvidas sobre o futuro do futebol. "Minha grande preocupação é que o futebol se transforme, que o jogo se torne mais atraente", afirmou. "Todos nós gostamos de jogos onde as equipes jogam para frente, mas vejo o perigo de que os times se tornem cada vez mais defensivos", alertou.

Nada se ganha com o aumento, diz Löw

Para Grindel, o ideal seria que "todas as questões importantes sobre a organização e o formato tivessem sido completamente esclarecidas". Ele, porém, reiterou que sua federação vai "respeitar a decisão unânime do Conselho da Fifa e olhar para a frente".

O técnico da seleção alemã, Joachim Löw, afirmou estar decepcionado com a ampliação do torneio. "Ainda penso que o formato atual com 32 equipes é ideal e que, do ponto de vista esportivo, não se ganha nada com o aumento", disse o atual campeão do mundo.

"Posso entender os que veem o aumento como uma diluição", afirmou o diretor esportivo e ex-jogador da seleção alemã, Oliver Bierhoff, reiterando que o total de 48 seleções é grande demais para o torneio mais importante do mundo.

"Minha preocupação é que possa afetar o nível do futebol", afirmou à emissora Espn o ex-jogador Cafu, que conquistou as Copas de 1994 e 2002 pela seleção brasileira. "Pode levar a jogos desequilibrados com equipes sendo derrotadas facilmente, desmoralizando muitas nações, o que não vai ajudar para que desenvolvam o futebol."

Algumas federações nacionais, como a da Escócia, apoiaram a iniciativa. O presidente da entidade, Stewart Regan, disse que a mudança vai beneficiar os países pequenos. "Isso permitirá a essas nações investir em suas infraestruturas de futebol e no desenvolvimento dos jovens, o que poderá se reverter em benefícios sociais".

Sonho de classificação mais próximo

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse após a decisão do conselho da entidade que o novo formato permitirá que mais países possam alimentar o sonho de se classificar para uma Copa do Mundo.

"Temos que dar forma à Copa do Mundo do século 21 [...] o futebol é mais do que a Europa e a América do Sul", afirmou. A ampliação do torneio era uma das prioridades de Infantino, eleito para a presidência da Fita em fevereiro após uma série de escândalos de corrupção envolvendo a entidade.

A partir de 2026, as seleções nacionais serão divididas em 16 grupos com três equipes cada, das quais duas se classificam para a próxima fase, que será disputada por sistema de eliminatória. O modelo atual, com 32 equipes divididas em grupos de quatro seleções, será mantido até a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Com esse novo sistema, a Copa do Mundo passará dos 64 para 80 jogos, mas manterá os atuais 32 dias de competição.

Uma provável candidatura conjunta da América do Norte, liderada pelos Estados Unidos, já é considerada a favorita para receber a primeira edição da Copa do Mundo no novo formato. Países da Europa e da Ásia não poderão se candidatar para sediar o evento, já que as duas próximas Copas do Mundo serão na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022.

RC/afp/rtr/dpa/sid

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